TABAGISMO
Busca por tratamento no SUS contra o cigarro cresce 22% em Alagoas
Ministério da Saúde convoca alagoanos a compartilharem histórias de dependência para mudar alertas em embalagens de produtos fumígenos
A procura por tratamento médico e psicológico gratuito para deixar de fumar cresceu 22,1% em Alagoas, saltando de 19.969 atendimentos registrados em 2022 para um total de 24.396 acolhimentos em 2025. Os dados consolidados foram apresentados pelo Ministério da Saúde no balanço recente sobre o tabagismo, período em que o governo federal deu início a uma grande mobilização de escuta pública direcionada aos fumantes, ex-fumantes e familiares alagoanos.
Batizada de "Conte o que o cigarro não mostra", a iniciativa está recolhendo depoimentos reais em todo o estado para humanizar as políticas de prevenção e atualizar as imagens de advertência sanitária dos maços de cigarro em circulação no país.
A ação quer dar voz aos desdobramentos do tabagismo que não podem ser ilustrados por fotografias médicas tradicionais. É que o Ministério da Saúde busca capturar as mudanças rotineiras, o impacto real no convívio familiar, as barreiras afetivas e o peso que o fumo impõe no cotidiano da população. Para participar e colaborar ativamente com as políticas públicas, o cidadão de Alagoas deve acessar o canal digital #MinhaHistóriaSemFiltro no Portal da Saúde e preencher o formulário oficial. Cada história enviada ajudará a desenhar o novo modelo de comunicação de risco que é adotado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas embalagens comerciais.
Esse comportamento nos índices de atendimento em Alagoas apresenta um contraste positivo em relação à média brasileira recente. De acordo com o levantamento divulgado pelo governo federal, após quase 20 anos de queda sustentada, o total de fumantes adultos no Brasil voltou a crescer, subindo de 9,2% para 11,7%, segundo dados do sistema Vigitel. Na contramão do avanço nacional, os indicadores locais de Maceió apontam para uma trajetória consistente de redução ao longo dos anos, com o percentual caindo de 13,9% no início da série histórica para os atuais 8% no monitoramento mais recente.
Apesar da redução na proporção de fumantes na capital, o aumento expressivo de atendimentos em solo alagoano reflete o fortalecimento e a consolidação da rede de apoio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em todo o país, a busca por apoio nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) saltou de 1 milhão de pessoas para 2,1 milhões de pacientes atendidos, evidenciando que a população está mais consciente sobre a necessidade de ajuda especializada para romper o ciclo da dependência química.
O tratamento antitabagista é oferecido de forma integral e sem custos na rede pública de saúde de Alagoas, sendo a Unidade Básica de Saúde a principal porta de entrada para o cidadão iniciar o processo.
Nos casos em que há indicação médica, o SUS também disponibiliza gratuitamente insumos farmacêuticos como adesivos transdérmicos, gomas de mascar de nicotina e o medicamento bupropiona para mitigar as crises de abstinência e prevenir recaídas.
DOENÇA CRÔNICA
O tabagismo continua sendo classificado como uma doença crônica grave associada a mais de 50 enfermidades, responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão no Brasil. O país é reconhecido internacionalmente pela adoção de políticas públicas rígidas de controle do tabaco, em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que inclui a proibição de propagandas comerciais e a restrição do fumo em ambientes coletivos fechados, ações que agora ganham o reforço da campanha de escuta para renovar a comunicação visual das embalagens.



