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Sinmed alerta que expansão de cursos ameaça qualidade da formação

Presidente Sílvia Melo diz que novas faculdades priorizam lucro em vez de ensino
Assessoria
Sílvia Melo, presidente do Sinmed
Sílvia Melo, presidente do Sinmed

No Dia do Médico, comemorado neste sábado, dia 18, a presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Sílvia Melo, fez um diagnóstico crítico do cenário da saúde pública e do mercado de trabalho médico no estado. Em entrevista, ela alertou para a abertura indiscriminada de novos cursos de medicina, o rebaixamento dos salários e a precarização das relações de trabalho que afetam diretamente a qualidade do atendimento à população.

Segundo Sílvia, o Sinmed é contrário à criação de novas faculdades de medicina, pois muitas não garantem a formação adequada. “A qualidade do ensino na maioria desses cursos deixa a desejar. Observamos recém-formados com certo despreparo técnico, o que é perigoso. A população precisa de profissionais resolutivos, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.

A dirigente destacou que, mesmo em municípios que lançaram concursos por exigência do Ministério Público do Trabalho, as ofertas salariais são desrespeitosas. “Algumas prefeituras oferecem R$ 2.400, o que é inaceitável. O Sinmed já derrubou judicialmente editais com remuneração aviltante”, pontuou.

Sobre o mercado de trabalho, Sílvia Melo denuncia que os gestores “impõem preços baixos, prometem reajustes e gratificações que raramente se cumprem”. Segundo ela, há mais de seis mil médicos em Alagoas e, embora não haja desemprego, há subemprego. “As vagas têm baixa remuneração e alta rotatividade. Ninguém fica muito tempo onde o salário é insuficiente.”

Essa rotatividade, explica a presidente, prejudica a continuidade dos serviços e a padronização do atendimento. “Quando há servidores efetivos, é possível capacitar, otimizar processos e melhorar o atendimento. Mas, com vínculos precários, o serviço perde qualidade. É essencial realizar concursos públicos.”

Questionada sobre o edital do próximo concurso estadual, Sílvia preferiu cautela. “Precisamos ver o número de vagas e a remuneração antes de opinar. O que exigimos é salário digno e estrutura adequada de trabalho, com medicação e equipamentos funcionando.”

Ela também criticou a “mercantilização da medicina”, impulsionada por interesses econômicos e políticos. “Empresários e políticos se unem para lucrar com a criação de cursos. É uma luta desigual, mas não desistimos. Ensinamos a lidar com vidas humanas, e isso requer estrutura, professores qualificados e hospitais-escola de referência.”

Por fim, a presidente lamentou a falta de prioridade dos gestores públicos com a saúde. “As unidades estão sucateadas, faltam insumos e medicamentos, e as equipes são pequenas. O Ministério Público precisa agir com mais rigor contra a terceirização e exigir concursos. A precarização não dá certo em lugar nenhum do país”, concluiu.


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