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Com chuvas abaixo da média, seca avança no Sertão e Agreste de Alagoas

Monitor aponta irregularidade nas precipitações e piora da situação em junho
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Dados do Monitor das Secas mostram avanço da estiagem no Sertão e no Agreste de Alagoas em junho de 2026
Dados do Monitor das Secas mostram avanço da estiagem no Sertão e no Agreste de Alagoas em junho de 2026

Alagoas registrou avanço da seca em junho de 2026 após um mês de chuvas abaixo da média em boa parte do estado. Segundo o Monitor das Secas, a seca moderada avançou no Sertão e a seca fraca ganhou espaço no Agreste, enquanto a irregularidade das precipitações aumentou a percepção de estiagem nos municípios.

Entre maio e junho, a área com seca em Alagoas aumentou de 34% para 37% do território estadual, enquanto a área classificada com seca moderada saltou de 9% para 19%. O Monitor também apontou intensificação da seca no estado durante o período. 

Apesar do avanço registrado em junho, a área do estado classificada com algum grau de seca foi menor que a observada no mesmo mês de 2025. Em junho do ano passado, cerca de 61% de Alagoas apresentava classificação de seca. Já em junho deste ano, o percentual ficou em 37,3%.


A diferença, porém, ocorre em um cenário bastante distinto de chuvas. Em junho de 2025, todas as regiões ambientais de Alagoas registraram precipitação acima da média histórica. Em 2026, apenas a Zona da Mata ficou acima da climatologia, enquanto o Litoral apresentou chuva dentro da média e as demais regiões ficaram abaixo do esperado.

Chuvas ficaram abaixo da média em cinco regiões

Os dados de junho de 2026 mostram uma redução expressiva das precipitações principalmente no Sertão, no Sertão do São Francisco e no Agreste. No Sertão, foram registrados 87,1 mm de chuva, contra uma média histórica de 133,5 mm, uma diferença de 34,7% abaixo do esperado.

No Sertão do São Francisco, o acumulado foi de 54,2 mm, enquanto a média para junho é de 83,5 mm, também 34,7% abaixo da climatologia. No Agreste, foram 121,2 mm, contra 185 mm esperados, uma redução de 34,5%.

O Baixo São Francisco acumulou 157,7 mm, 25,1% abaixo da média de 210,6 mm. Em Maceió, o acumulado foi de 219,4 mm, 32% inferior à média histórica de 322,8 mm.

Na contramão, a Zona da Mata registrou 236,5 mm, 9,1% acima da média de 216,7 mm. O Litoral também ficou dentro da média climatológica, com 262,5 mm de chuva, contra média histórica de 252,1 mm.

A situação contrasta com junho de 2025, quando todas as regiões ambientais tiveram chuva acima da média. Naquele ano, o Sertão recebeu 166,9 mm, 25% acima da média, enquanto o Sertão do São Francisco registrou 131,9 mm, 58% acima da climatologia.

O Agreste teve 306,9 mm, volume 59,3% superior à média histórica. No Baixo São Francisco, foram 370,1 mm, 75,7% acima do esperado. A Zona da Mata e o Litoral registraram os maiores excedentes, com 103,1% e 100,7% acima da média, respectivamente.

Em junho de 2025, a distribuição das chuvas também foi considerada favorável. Nenhuma região ambiental registrou mais de cinco dias consecutivos sem chuva. Os observadores relataram melhora na situação da seca e redução da percepção do fenômeno nos municípios.

Em 2026, o comportamento foi oposto. A distribuição das precipitações foi considerada bastante irregular, com a maioria dos municípios do Litoral ficando entre cinco e 15 dias sem chuva. No Sertão, no Sertão do São Francisco e em outras áreas do interior, os períodos sem registros de precipitação ficaram entre 15 e 25 dias.

Essa irregularidade foi apontada pelo Monitor como um dos fatores que contribuíram para o aumento da área com seca no estado.

Área de seca é menor, mas situação piorou durante junho

O relatório aponta que, em junho de 2026, 37,3% do território alagoano apresentou algum tipo de classificação de seca. A seca fraca ocupou 18,08% do estado, abrangendo parte do Agreste, Sertão e Sertão do São Francisco.

Já a seca moderada atingiu 19,19% do território, concentrada no alto Sertão. Os impactos foram classificados como de curto e longo prazo (CL) nas áreas de seca mais persistente e de curto prazo (C) em parte do centro do estado.

Em junho de 2025, a área atingida era maior, chegando a cerca de 61% do território. Naquele momento, 38,4% do estado estavam classificados como seca fraca e 22,7% como seca moderada. O Litoral e outras áreas do leste de Alagoas não apresentavam classificação de seca relativa.

A redução da área total entre os dois períodos, portanto, não significa que junho de 2026 tenha apresentado condições melhores. O relatório deste ano aponta piora em relação ao mês anterior, com avanço da seca moderada no Sertão e da seca fraca no Agreste. A situação foi associada principalmente às chuvas abaixo da normalidade e à distribuição irregular das precipitações.

Reservatórios apresentam cenário mais fraco que em 2025

A situação dos reservatórios também mostra diferença entre os dois anos. Em junho de 2025, cinco dos sete principais reservatórios apresentados no relatório estavam com volume acima de 100% de sua capacidade.

O reservatório de Coruripe, por exemplo, estava com 121,1% da capacidade em junho de 2025. O nível chegou a ultrapassar a cota de sangria, exigindo a abertura e utilização de outro vertedouro para evitar risco de galgamento do barramento.

Em junho de 2026, Coruripe estava com 104,6% da capacidade. O reservatório continuava acima de 100%, mas com volume 16,5 pontos percentuais menor que o registrado um ano antes.

Outro exemplo é o açude Boa Cica, que passou de 31,3% da capacidade em junho de 2025 para apenas 3,2% em junho de 2026. Já Jaramataia recuou de 82,5% para 80,8%, enquanto Bálsamo passou de 102,5% para 101,3%.

Com isso, em junho de 2026, apenas dois dos reservatórios apresentados estavam acima de 100% da capacidade: Coruripe, com 104,6%, e Bálsamo, com 101,3%. Em 2025, eram cinco nessa condição.


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