POLÍTICA

PIX: AGU quer cobrar deputados por dano à economia com fake news

Há possibilidade de ajuizamento de uma ação civil pública para cobrar os prejuízos
Agencia Brasil
Fake news sobre suposta taxação do Pix foi disseminada pela extrema direita política
Fake news sobre suposta taxação do Pix foi disseminada pela extrema direita política

A Advocacia-Geral da União (AGU) vai trabalhar para que deputados bolsonaristas ressarçam danos à economia popular causados pelas “fake news” sobre o Pix. Está em estudo o ajuizamento de uma ação civil pública para cobrar os prejuízos, que ainda estão sendo estimados.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN. Os congressistas do PL Gustavo Gayer (GO), Flávio Bolsonaro (RJ) e Nikolas Ferreira (MG) estariam na mira do processo. Técnicos da AGU ouvidos pela CNN dizem que as notícias falsas sobre a suposta taxação do Pix geraram uma “desconfiança geral” sobre o sistema instantâneo de pagamentos, causando problemas tanto para os comerciantes quanto para os consumidores. O problema foi sentido em todo o país.

De acordo com fontes do governo, ao mesmo tempo em que as pessoas ficaram receosas de pagarem impostos ao “fazerem um Pix”, empreendedores passaram a cobrar preços mais caros se o cliente optasse por essa forma de pagamento. Segundo a CNM, a ação teria como objetivo reparar “a mancha na reputação” do Pix, mas também teria um viés educativo: chamar a atenção sobre as consequências de se levantar dúvidas na sociedade sobre a higidez das instituições.

Uma fonte da AGU comparou a situação com as declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, sobre o sistema eleitoral brasileiro. Ao dizer, mais de uma vez e sem provas, que as urnas tinham indícios de fraude, Bolsonaro acabou se tornando inelegível.

Sobre a possível ação da AGU, o senado Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, ter a garantia constitucional de imunidade parlamentar.

Ameaça de morte

Neste domingo, 19, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) protocolou na Polícia Federa um pedido de abertura de inquérito para apurar e identificar quem foram os autores das ameaças de morte, recebidas em suas redes sociais, após publicar o vídeo informando sobre notícias falsas divulgadas pela extrema direita sobre a fiscalização do Pix.

O vídeo foi publicado pela lider do Psol na Câmara dos Deputados neste sábado (18). Em menos de 12 horas de veiculação, o material já somava mais de 80 milhões de visualizações em suas redes sociais. A deputada, então, passou a receber ameaças por perfis ligados à extrema direita no X. 

Alguns perfis incitavam que ela deveria ser “fuzilada” ou que “pistoleiros” seriam "contratados para ficar em sua cola". Outra conta publicou que o "Projeto Ronnie Lessa 2.0 teria que entrar em ação", em referência ao assassinato da vereadora Marielle Franco, do mesmo partido.

As ameaças e incitação ao crime de homicídio, feitas abertamente na rede social X, ganharam tração durante a madrugada e também foram estendidas ao presidente Lula.

Todas as mensagens e informações dos respectivos perfis foram reunidas pela equipe de segurança da deputada e incluídas no pedido de abertura de inquerido na PF.

O material publicado por Hilton adota mecanismos visuais e sonoros e foi uma forma de contrapor postagens como a do deputado de oposição, Nikolas Ferreira (PL), que alcançou recordes de visualização criticando e distorcendo a proposta apresentada pelo Governo Federal sobre a fiscalização do Pix. A revogação da medida foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a onda de fake news.


Encontrou algum erro? Entre em contato