Justiça
Manifesto nacional cobra do STF “análise pública dos fatos” da crise
Setor produtivo de Alagoas adere à mobilização que exige transparência sobre a crise no Supremo
Pelo menos 57 entidades representativas do setor produtivo de Alagoas aderiram ao manifesto nacional divulgado nesta quarta-feira, 9, que reúne cerca de 3 mil organizações de todas as regiões do Brasil. Capitaneado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o movimento empresarial cobra transparência, imparcialidade e celeridade do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise de episódios recentes envolvendo a Corte.
O documento destaca que o país atravessa uma grave crise institucional cujo epicentro é o próprio tribunal encarregado de guardar a Constituição Federal. A mobilização defende que o Plenário da Corte analise os fatos com urgência e em sessão pública.
"O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas. Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas. A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo", defende o movimento.
-
Justiça de Alagoas
TJ de Alagoas julga conflito entre advogados por honorários milionários
-
Justiça
'Brasil precisa saber a verdade', escreve Lula sobre crise no STF
-
Justiça
Edson Fachin cancela sessão do STF em plena crise entre Moraes e Mendonça
-
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Dino determina reintegração de Andrei Rodrigues no comando da PF
A mobilização estava sendo construída desde a divulgação das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na última semana. Segundo o site Brasil 247, uma versão preliminar, chamada “Manifesto pela Justiça Brasileira”, defendia que autoridades suspeitas ou acusadas fossem afastadas da análise de processos relacionados a elas. A proposta enfrentou resistência dentro do próprio setor empresarial e acabou retirada do texto.
O rascunho também propunha uma discussão “livre, pública e presencial” no plenário do Supremo e afirmava que o país enfrentava um teste inédito de integridade. A formulação foi considerada mais propensa a ampliar a crise política.
A versão posterior concentrou a cobrança na análise pública e urgente dos fatos pelo plenário, sem defender diretamente o afastamento de ministros. O objetivo foi preservar o posicionamento institucional do empresariado sem avançar sobre prerrogativas do Judiciário.
Em Alagoas, a mobilização reúne as principais federações empresariais do estado – Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), Federação da Agricultura do Estado de Alagoas (FAEAL), Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio), Federação das Associações Comerciais do Estado de Alagoas (Federalagoas) e Federação dos Clubes de Diretores Lojistas em Alagoas (FCDL) -, além de associações comerciais e empresariais e sindicatos representativos da indústria, do comércio, do turismo e do setor rural.
Entre as entidades de representação nacional que subscrevem o documento estão a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No conjunto, as cerca de 3 mil organizações signatárias representam aproximadamente 90% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram mais de 40 milhões de empregos.
Além de reforçar a mensagem de que ninguém está acima da lei, a iniciativa lembra que o Brasil já superou momentos críticos em sua história graças a cidadãos e instituições que não se calaram.



