Fernão Velho
Criatório abandonado desde 2023 ainda abriga dezenas de jacarés em Maceió
Local está embargado e permanece sob monitoramento ambiental
Um antigo criatório de jacarés-de-papo-amarelo localizado no bairro de Fernão Velho, em Maceió, permanece embargado desde 2023 após autuações por maus-tratos e irregularidades ambientais. Mesmo sem funcionamento comercial, o local ainda abriga dezenas de animais.
O caso ganhou repercussão após fiscalização de órgãos ambientais identificar condições inadequadas para a manutenção dos répteis. À época, mais de 200 jacarés estavam no espaço em situação de abandono, com sinais de fome, desnutrição e até episódios de canibalismo entre os animais.
A operação resultou em multa superior a R$ 200 mil aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além do embargo do estabelecimento. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) já havia autuado o criatório anteriormente.
Durante a fiscalização, agentes ambientais também constataram problemas na qualidade da água e na conservação da alimentação oferecida aos animais. Parte da comida estava em estado de decomposição. Outro problema identificado foi a ausência de marcação individual dos jacarés, exigência prevista em normas ambientais.
O empreendimento havia sido criado em 1994 com autorização para reprodução de jacarés-de-papo-amarelo, espécie nativa da Mata Atlântica. A proposta original era a comercialização de carne e pele dos animais, atividade permitida em criadouros regularizados. Com o passar dos anos, porém, o negócio entrou em declínio e deixou de operar.
Mesmo com o embargo, os jacarés permaneceram no espaço. Atualmente, os animais vivem em um lago artificial utilizado anteriormente para reprodução.
De acordo com informações divulgadas pelo g1, o local segue sob acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, enquanto o caso continua em análise na Justiça.
Especialistas apontam que a permanência dos animais no criatório exige monitoramento constante para garantir condições mínimas de sobrevivência e evitar riscos ambientais.
Outro lado
Em nota, o criatório Mister Cayman, em Alagoas, informou que não está aberto ao público nem realiza atividades turísticas ou comerciais atualmente, pois o local segue embargado por órgãos ambientais, como IBAMA e IMA.
Segundo a administração, o embargo ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando a proprietária ficou internada por um período prolongado, o que afetou a gestão do empreendimento.
O criatório ainda afirma que está em processo de regularização, cumprindo exigências ambientais, com ações voltadas a ajustes estruturais, manejo dos animais e recuperação do espaço. A empresa nega abandono ou falta de cuidados, destacando que as atividades atuais são restritas à manutenção e ao atendimento das determinações legais.
Também informa que o acesso ao local é proibido, o que pode levar a interpretações incorretas a partir de conteúdos divulgados sem respaldo técnico, e reforça que está disponível para prestar esclarecimentos às autoridades e à imprensa.



