justiça eleitoral

Renan Calheiros recorre para reverter decisão sobre vídeo contra Lira

Parlamentar afirma que exerceu atividade de fiscalização ao criticar atuação do rival no caso Master
Agência Brasil
Senador Renan Calheiros e o deputado federal Arthur Lira
Senador Renan Calheiros e o deputado federal Arthur Lira

O senador Renan Calheiros recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) para tentar derrubar a decisão que determinou a exclusão de uma publicação nas redes sociais em que criticava o deputado federal Arthur Lira e o condenou ao pagamento de multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada.

No recurso apresentado à Justiça Eleitoral, a defesa de Renan sustenta que a manifestação teve caráter de fiscalização parlamentar e não configurou propaganda eleitoral. Segundo os advogados, o conteúdo publicado não continha pedido de voto, menção às eleições de outubro ou referência explícita a candidaturas.

A controvérsia teve origem em um vídeo divulgado por Renan Calheiros em 20 de maio, no qual o senador associou Arthur Lira ao caso envolvendo o Banco Master. Na gravação, o emedebista afirmou que o deputado teria recebido uma mansão avaliada em R$ 30 milhões após assinar uma emenda ligada a interesses da instituição financeira, além de citar supostos "interesses privados" do adversário político.

Após a publicação, a defesa de Arthur Lira acionou o TRE-AL, alegando que o conteúdo ultrapassava os limites do debate político e tinha finalidade eleitoral.

Ao analisar o caso, o desembargador eleitoral Antonio José de Carvalho entendeu que a postagem não estava protegida pela liberdade de expressão nos termos apresentados pela defesa. Na decisão, assinada em 11 de junho, o magistrado afirmou que a divulgação de acusações sem base fática minimamente consistente e a construção de narrativas capazes de influenciar o eleitorado não encontram amparo na legislação eleitoral.

Para o relator, a publicação teve como objetivo produzir desgaste na imagem pública de um potencial concorrente ao mesmo cargo eletivo, ultrapassando os limites da crítica política legítima.

A defesa de Renan Calheiros, por sua vez, argumenta que a decisão judicial transforma a atividade de fiscalização parlamentar em infração eleitoral e restringe o direito de crítica a agentes públicos. O recurso aguarda análise do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato