colunista

Kleber Bene

Jornalista e gestor público

Conteúdo Opinativo

O Grande Blefe: mídia enganada, Lula traído e JHC no cabresto de Lira


Quem acompanha as engrenagens do poder sabe que a política é a arte de vender ilusões. Mas o que se viu nos últimos dias em Brasília e Maceió ultrapassou todos os limites do previsível e ridicularizou a grande mídia nacional. Enquanto os principais analistas políticos e grandes jornais cravavam como "assunto encerrado" a ida do prefeito de Maceió para a disputa ao Senado, o tapete foi puxado com violência. Toda a imprensa comprou fumaça. O suposto recuo de JHC para o Senado e sua reunião com o presidente Lula não passaram de um teatro ensaiado. O verdadeiro furo é este: JHC foi abduzido, enquadrado e hoje marcha sob o cabresto absoluto de Arthur Lira na disputa pelo Governo de Alagoas.

Lula foi enganado, os partidos aliados foram ludibriados e o mercado político engoliu uma narrativa falsa. Diante do cerco da Polícia Federal, JHC descobriu que promessas palacianas em Brasília não compram paz. Ele correu para os braços do único homem capaz de lhe garantir uma ilusão de salvação jurídica. Nessa jogada de mestre, apenas um lado saiu ganhando: Arthur Lira, que garantiu o controle total do palanque majoritário ao Governo do Estado, descartando seus possíveis e principais concorrentes, Alfredo Gaspar e JHC.

O Escudo da Segurança Jurídica e o Pânico do Iprev

Como gestor público, preciso apontar a raiz desse desespero: a busca frenética por segurança jurídica. A calmaria da pré-campanha foi estraçalhada pela Operação Compliance 82 da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF investiga uma suposta gestão fraudulenta envolvendo o direcionamento de R$ 97 milhões em recursos da previdência dos servidores públicos municipais de Maceió (Iprev) para Letras Financeiras de alto risco do Banco Master.

Com o STF determinando o bloqueio de bens de figuras do seu núcleo íntimo, como o secretário de Fazenda João Felipe Alves Borges e o ex-presidente do Iprev Ronnie Reyner, JHC balançou. O prefeito viu o chão sumir. Diante do abismo, ele olhou para Arthur Lira e enxergou a maior fortaleza jurídica do país, conseguiu ver ele, maior que o próprio Presidente Lula, que garantiu até uma vaga para sua tia no STJ. Mas... Lira transita com maestria incomparável da primeira instância à Suprema Corte. JHC entregou sua candidatura e seu destino político ao deputado em troca de uma promessa tácita de blindagem no Judiciário, nos moldes do que Lira já fez com o orçamento secreto para proteger seus aliados, e até mesmo a sua antiga assessora, que até deixamos de ouvir comentários sobre ela.

A Ironia do Desespero: JHC se alia a Lira após o próprio pai tentar derrubar o herdeiro do deputado

Para entender o tamanho do contrassenso e do cinismo desse acordo, basta olhar para os bastidores do tribunal eleitoral. O prefeito aceitou abaixar a cabeça e colocar sua fé na influência do homem que moveu montanhas no Congresso para aprovar uma legislação sob medida para o seu jovem filho de 20 anos, o "Alvinho Lira", permitindo-lhe disputar uma vaga na Câmara Federal.

Aqui reside a maior bomba desse bastidor: JHC aceitou marchar com Lira fingindo esquecer que o seu próprio pai, João Caldas, na condição de presidente de partido, deixou que ingressassem com uma ação judicial para tentar arrancar o registro de candidatura de Alvinho Lira.

É a política do cinismo levada às últimas consequências:

HC finge que seu pai não tentou degolar politicamente o herdeiro de Lira.

Lira finge que esqueceu a afronta da família Caldas para manter JHC sob rédea curta no palanque ao Governo.

O eleitor assiste a um pacto de conveniência entre duas forças que não se toleram, mas que se unem pelo medo e pela sobrevivência mútua.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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